Gostei quando Paulo Angelim nos alerta para o nosso mal hábito de querer simplificar tudo. Veja o que ele nos diz referindo-se ao título de seu artigo, Não simplifique. Complique!:
"Não, eu não me equivoquei no emprego do dito popular. Simplesmente penso que está havendo um exagero perigoso nessa história de simplificar tudo. Os norteamericanos são simplistas nessa matéria e, às vezes se dão mal. Até usam uma sigla para difundir o conceito: KISS (Keep It Simple Stupid!)". E prossegue citando orientações de Jack Welch, ex-CEO da GE quando declarava para seus executivos: 'Simplicidade. essa é a regra do jogo. Desconfie sempre que alguém começa a lhe pintar um quadro muito complexo de determinada situalção empresarial e de negócios. reduza tudo a sua forma mais simples e terá metade do caminho andado'. Em seguida, Paulo Angelim brincando com a máxima de Jack Welch, nos passa uma grande lição quando diz: "Desculpe-me Jack, mas a coisa não é bem assim. Pelo menos não deveria ser. O risco de simplificar tudo está em ignorar a complexidade de elementos importantes que determinam a existência de um problema. Podemos chamar esta etapa de problematização. Depois de conhecidas as nuances do problema, suas implicações, causas e consequências, chega a hora de buscar a solução do mesmo. Se valer a máxima de manter tudo da forma mais simples possível, você estará correndo o grande riso de, na hora da problematização, ser simplista, não questionando o suficiente sobre o problema para melhor compreendê-lo. Mais importante que a solução de um problema é a correta formulação do mesmo. 'O problema está 50% resolvido se estiver bem formulado', ensinava objetivamente Albert Einstein."
Assim integrantes do NECH, devemos ter cuidado e trabalhar sempre com base no pensamento complexo, pois na área do comportamento humano, bem como nos objetos de estudo das ciências sociais (nossa área de formação), podemos dizer que nada é simples. Tudo é relativamente complexo e muito complexo.
Roncalli Maranhão
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5 comentários:
Muito bom o texto, mas não acho que os ensinamentos de Jack Welch foram bem compreendidos. Para mim, a máxima KEEP IT SIMPLE, STUPID! significa simplesmente NÃO PROCURAR CABELO EM OVO. Não acho que ao simplificar, vamos automaticamente ignorar elementos importantes durante a análise de um problema, acho que simplesmente vamos focar naquilo que é importante. Podemos pecar tanto por uma análise simplista como por uma análise super elaborada, que quando é finalizada, já perdeu seu significado. Concluindo, para mim, a tradução de KEEP IT SIMPLE! é FOCAR NO QUE IMPORTA. Abs, Aline
Concordo com a interpretação da Aline sobre a máxima. O "simples" ai na fala do Welch está muito mais relacionado com a postura pragmática comum ao norte-americano em atentar para o importante ( que é definido, principalmente pelos efeitos das ações - o pragmatismo é antes de tudo um consequencialismo ), como ela bem disse com o "não procurar pelo em ovo" ou, como eu diria, "não esfregue onde não está coçando". Temos que ter cuidado, me parece, para que não utilizemos o fato da complexidade como desculpa a falta de ação, de pesquisa séria e rigorosa sobre as soluções para os problemas. Ao invés de estimular uma paralização da pesquisa e o conforto da ignorância, a noção de complexidade deveria estimular a busca de soluções. O fato de que o mundo é "complexo" não significa, por sua vez, que nossos modelos não possam ser simples, mas ao mesmo tempo abrangentes. São apenas momentos diferentes do que denominamos "conhecimento". Talvez nossas teorias sobre o mundo não passem de caixas de ferramentas, modelos. Modelos são antes úteis ou inúteis ao invés de verdadeiros ou falsos. Devemos atentar para essa distinção entre modelos e mundo para não confundirmos uma coisa com outra e mantermos o rigor de pesquisa adequado para cada situação.
Aline e Giovanni,
Gostei da interpretação que vocês deram à máxima de Jack Welch. Entretanto, o que me chamou a atenção no artigo do Angelim foi a mesma mensagem dada por Edgar Morrin, em sua obra Introdução ao Pensamento Complexo, quando nos alerta para não tratarmos o complexo de modo simplista e se "por acaso" tivermos de fazê-lo que então estejamos conscientes de que estamos dando um tratamento simplista a problemas complexos e isso poderá comprometer a solução.
Tratar a complexidade de modo simplista é mais ou menos como um executivo que contrata uma consultoria para desenvolver seus gerentes e quando toma conhecimento de que o problema não está nos gerentes mas nele mesmo ou na cultura da empresa (avalisada por ele) não reconhece e desqualifica o trabalho... E isso, muitos executivos estão cansados de fazer, ou seja, querer resolver problemas complexos de modo simplista. E aí, continuam com o problema.
Roncalli
Ok, e concordo com isso, mas pensei em termos um pouco metodológicos. uma coisa é a constatação do complexo, mas me parece que a solução ou avaliação do complexo envolve, por nossas proprias limitações de lidar com informações, a utilização de métodos analiticos inicialmente simples, mas interligados que permitam a decomposição do complexo, sua análise e posterior religação das partes. talvez eu esteja sendo por demais cartesiano (e no sentido metodológico, como exposto no Discurso do Método, do termo e nao no sentido vulgar), mas é a abordagem científica standard. talvez uma postura dialética que privelegie as relações e suas análises seja mais adequado para o entendimento do complexo. pelo pouco que eu conheço do Morin, tenho a impressão que a chave seja essa. obrigado pelo comentário e vamos discutir mais ! grande abraço.
A questão não é o pensamento complexo e sim a interpretação de uma ideia de forma equivocada. Meu questionamento em relação a posição do Paulo Angelim é que não concordo quando ele diz que a frase KEEP IT SIMPLE significa tratar as questões em uma organização de forma simplista. Para mim, ele forçou a barra na interpretação e essa frase simplesmente nos alerta para manter o foco naquilo que importa, como já afirmei anteriormente. Abs, Aline
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