Para ilustrar nossos debates de hoje nos jardins da Universidade Federal do Ceará (FEAAC) lhes trouxe esse fragmento que não deixa de ser valioso, senão vejamos:
Epicarmo de Siracusa (540 a.C.), comediógrafo e poeta grego admirado por Platão, disse: "A mente vê, a mente ouve; as outras faculdades são surdas e cegas." Além do mais, ele exprimia um conceito: o do absoluto predomínio da mente sobre os sentidos em nível cognoscitivo. Seguindo essa mesma linha, Sócrates defendia que só a alma poderia ter acesso a verdade.
Fonte: Tozi, R. Diccionario de Sentenças Latinas e Gregas, Editora Martins Fontes. 2009.
Pergunta para os integrantes do NECH, Psicólogos, Filósofos etc.: O que isso tem a ver com a percepção? Será que a ciência hoje corrobora com os antigos gregos citados? O que acham?
Roncalli Maranhão
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3 comentários:
Obrigado pelo texto Roncalli e pela reflexão. Acho que aprofundar o debate e a pesquisa sobre isso é necessário, uma vez que a pressa para a discussão do conteúdo, devido à viagem, não permitiu uma discussão mais cuidadosa. E também nem será este o local para isso, mas como comentário eu gostaria de dizer que não é à toa que Platão admirava o poeta Epicarmo ( apesar de sua repulsa pela poesia e poetas em geral ), uma vez que corrobora com a noção de alma ( e veja como isso foi apropriado pelos primeiros cristãos, principalmente por Paulo de Tarso ). Noção esta que denuncia o pitagorismo de Platão e sua busca por algo eterno e imutável e imaterial que fosse causa e fim último do mundo enquanto tal. Segundo as pesquisas e hipóteses mais recentes, como a do Gregory Vlastos (http://www.amazon.com/Gregory-Vlastos/e/B000AP94H0/ref=sr_ntt_srch_lnk_1?_encoding=UTF8&qid=1263236782&sr=1-1) é algo mais de Platão mesmo do que de Sócrates - que parecia ter outras preocupações bem diferentes de seu discipulo tão ambicioso. As teses de Platão já foram criticadas em seu próprio tempo. Considere por exemplo toda a energia que ele despendeu contra os "materialistas" como Demócrito, ou as críticas efetivadas pelos cínicos ( como Diógenes ) e céticos de todas as matizes. A uma grande parte da ciência moderna que surgiu justamente como reação ao mentalismo de Platão e há estantes completas de livros sustentando teses totalmente diferentes e que utilizam, por exemplo, o corpo,os desejos, enfim, toda uma tradição materialista e naturalista que tenta esclarecer e explicar o que é conhecimento e todos conceitos relacionados como o de percepção, memória etc. Então essa hipótese do "absoluto predominio da mente" é, no mínimo, problemática. Acho que poderiamos pensar e discutir melhor isso em ocasião mais adequada. Grande abraço.
Excelente Giovanni. Concordo contigo e o parabenizo pelo rico comentário. Vamos sim, conversar e discutir isso.
Roncalli
Em continuação, meu comentário e colaboração na discussão não se trata sobre um aspecto técnico de interpretações diferentes sobre a história da filosofia (ela própria uma interpretação ), mas sim de atentarmos para a diferença que existe entre concepções teóricas que tentam explicar o mundo e seus fenônemos ( incluindo o humano ai ) que partem de pressupostos diferentes. Uma concepção diferente sobre ontologia (teoria sobre o que constitui o mundo), levará à uma epístemologia diferente, que levará à uma ética e uma política diferente. Sei que muitas vezes não temos, no grupo, tempo para discutirmos mais detalhadamente, mas acredito que é útil termos ciência dessas distinções, mesmo que não a abordemos.
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